DO LADO DE CÁ,

Saudades

SINOPSE

No interior do Brasil dos anos 1980, Luzia, mãe de três filhos, encontra uma foto antiga de Silvano, seu último irmão vivo, que há muito não vê. Tomada por uma saudade que o tempo não apagou e intensificada pelo recente enterro de outro irmão, ela decide tentar reencontrá-lo por meio de um programa de leitura de cartas da Rádio Nacional. Analfabeta, Luzia recorre à ajuda de sua filha caçula, Fátima, de 12 anos, que transforma as palavras da mãe em letras trêmulas e cheias de erros, escritas em folhas amassadas de caderno.

Enquanto Luzia alimenta a esperança do reencontro, sua família enfrenta o
esgotamento da vida rural. O filho mais velho parte em busca de oportunidades na
cidade grande; José, o do meio, sonha em segui-lo; e a casa começa a se esvaziar.
Durante a escrita das cartas, Fátima descobre uma nova face da mãe: uma mulher
que relembra a infância, o casamento precoce com Pedro e as frustrações de uma vida marcada pela falta de afeto. Através das palavras ditadas e escritas, mãe e filha tecem uma cumplicidade silenciosa, na qual Luzia tenta, pela primeira vez, se fazer entender e, talvez, se sentir amada.

As cartas, agora mais frequentes, se tornam o único refúgio de Luzia, que revive a infância nas trocas com Silvano enquanto a filha é forçada a deixar a sua para trás. No instante em que o reencontro parece próximo, Luzia descobre que o irmão, na verdade, está preso, sem possibilidade de sair. É então que, entre a dor da decepção e o calor do afeto redescoberto, ela aprende a olhar para os que ainda permanecem ao seu lado. Silvano volta a ser apenas uma lembrança distante, uma saudade que não será curada na presença. E é no amor possível, no presente, que Luzia reencontra a força para continuar.

Luzia

47 anos. Endurecida pelas dificuldades da vida e pelas constantes partidas, desaprendeu a como mostrar e receber amor. Não gosta de ouvir falar sobre morte e não sabe se seus filhos a amam. Apesar de dividir a casa com o marido e a prole, a relação é gélida, distante. Seus olhos estão sempre voltados para o passado.

Fátima

12 anos. É a caçula e por tal é a figura inconveniente da casa. De alma leve, tem um humor característico, fala rápida e é a única na escola. É obrigada a sustentar o peso da partida da infância rápido demais: através das confissões da mãe, das exigências do pai, do ressentimento do irmão e da menstruação precoce.

Pedro

54 anos. Patriarca, acredita dentro de uma família todos têm um trabalho e devem existir para cumpri-lo. Apesar de não verbalizar, demonstra afeto provendo, pois foi assim que foi ensinado. É rígido, como seu pai foi, mas no fundo teme que seus filhos o odeiem, como ele mesmo odiava o pai, mas não faz diferente.

José

15 anos. É o do meio e, por tal, foi o que recebeu menos atenção na infância. É o “mais pra frente” deles, tanto em vaidade quanto em ambição. Quer muita coisa, mas através do trabalho. Admira muito Francisco, acredita que Fátima gosta de se mostrar por estar na escola e tem uma relação particularmente difícil com Pedro.

Francisco

20 anos. É o primogênito e o primeiro a partir. Obediente, sabe exatamente o que fazer para agradar os pais, mas isso não o impede de ir embora. Exige muito de José, corrigindo-o para que Pedro não precise. É longe da família, porém, que ele mostra o quanto é afetuoso e carinhoso.

Silvano

Irmão distante com quem Luzia passa a se comunicar através de cartas. Silvano sempre foi uma alma livre e se destacava pela esperteza em suas mentiras. Um malandro, que encantava os outros por seu jeito boa praça. No presente, sua realidade, porém, é outra, está preso e mente até onde pode para esconder isso.

UNIVERSO

“Do lado de cá, saudades” toma palco num interior rural do Brasil, durante o início da década de 80. O clima árido, os longos períodos de seca e as altas temperaturas são metáforas para a própria secura dos personagens. Em uma vizinhança vazia,
afetada por grandes distâncias entre uma casa e outra, a família da história vive quase isolada, sustentando o peso do convívio marcado pela rotina e pelo trabalho duro. Ali, é comum que água e luz faltem, e são nesses incômodos que o mundo se abre, especialmente para as mulheres da casa, que vão para o açude mais próximo lavar louças e roupas.

Nas relações familiares, a dinâmica é majoritariamente patriarcal, com mulheres ocupando principalmente trabalhos domésticos. O trabalho infantil é comum e a
saída precoce da escola também. Na vida da família da história, o dinheiro é guardado debaixo do colchão, os absorventes são panos costurados e estufados de algodão e nem criam animais, para não ter apego.

O rádio noticia os primeiros passos da volta da democracia e os últimos do regime militar. As músicas falam sobre saudades, sobre quem partiu e quem ficou, sobre a dureza de sair da roça e viver na cidade grande. É por meio dele que chegam as
notícias nacionais, as novelas radiofônicas e os programas de mensagens que ligam
comunidades distantes. A televisão é um bem restrito às famílias de maior poder
aquisitivo. Nesse contexto, o cotidiano é definido por um ritmo lento, condicionado
pelas condições climáticas, pelas normas sociais e pela luta constante contra a
escassez.

QUEM ESCREVE

Valéria Oliveira

Bacharel em Cinema e Mídias Digitais, é criadora e Roteirista Chefe da série “Babel”, que em 2023 teve seus Direitos Patrimoniais negociados com a produtora Rodô Audiovisual. Babel é finalista do FRAPA 2025, foi finalista do Concurso de Pilotos e das Doctoring Sessions do Serie_Lab 2025, foi também selecionada para a Clínica de Projetos do 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2023). No início de 2025, Valéria co-roteirizou os longas “Ermo” (Baloo Filmes) e “O Reserva” (Sublima Filmes), ambos em pós-produção com estreias previstas para 2026-2027. Seu primeiro longa autoral “Do lado de cá, saudades” foi selecionado na Residência Base Filmes (2025), residência artística idealizada por Esmir Filho, diretor de Homem com H e em 2024 venceu o Prêmio de Melhor Projeto no I Kino Lab e foi selecionado no Visão Preta Lab da 5ª MIMB. Em 2024 escreveu o curta “Encontro de Mulheres”, vencedor do
concurso de roteiro do 2º Kino Script, e integrou a sala de roteiro da série animada “Semiose” (2026). Como pesquisadora, colaborou na série documental “Game Dev Brasil” (EBC, TV Brasil) e no curta “Isso aqui é Várzea” (em pós-produção), além de atuar como Script Doctor do projeto de animação infantil “Tuca”. Na área educacional, atuou como roteirista monitora no RodôHub (2023) e ministrou oficinas nos projetos Vamos ao Cinema (2023) e Faça! Filme! (2024).

Criadora e Roteirista:

Valéria Oliveira

Assistente de Roteiro:

Ana Domitila Lemos

Produtor Executivo:

Isaac Brum Souza

Pesquisadora de Imagens:

Mayara Varalho

Consultor de Roteiro:

Affonso Uchôa

Designer Gráfico:

Leander Emygdio

Realização:

Este projeto foi contemplado pelo EDITAL DE AUDIOVISUAL Nº 03/2024

BASTIDORES

SINOPSE

No interior do Brasil dos anos 1980, Luzia, mãe de três filhos, encontra uma foto antiga de Silvano, seu último irmão vivo, que há muito não vê. Tomada por uma saudade que o tempo não apagou e intensificada pelo recente enterro de outro irmão, ela decide tentar reencontrá-lo por meio de um programa de leitura de cartas da Rádio Nacional. Analfabeta, Luzia recorre à ajuda de sua filha caçula, Fátima, de 12 anos, que transforma as palavras da mãe em letras trêmulas e cheias de erros, escritas em folhas amassadas de caderno.

Enquanto Luzia alimenta a esperança do reencontro, sua família enfrenta o esgotamento da vida rural. O filho mais velho parte em busca de oportunidades na cidade grande; José, o do meio, sonha em segui-lo; e a casa começa a se esvaziar.
Durante a escrita das cartas, Fátima descobre uma nova face da mãe: uma mulher que relembra a infância, o casamento precoce com Pedro e as frustrações de uma vida marcada pela falta de afeto. Através das palavras ditadas e escritas, mãe e filha tecem uma cumplicidade silenciosa, na qual Luzia tenta, pela primeira vez, se fazer entender e, talvez, se sentir amada.

As cartas, agora mais frequentes, se tornam o único refúgio de Luzia, que revive a infância nas trocas com Silvano enquanto a filha é forçada a deixar a sua para trás. No instante em que o reencontro parece próximo, Luzia descobre que o irmão, na verdade, está preso, sem possibilidade de sair. É então que, entre a dor da decepção e o calor do afeto redescoberto, ela aprende a olhar para os que ainda permanecem ao seu lado. Silvano volta a ser apenas uma lembrança distante, uma saudade que não será curada na presença. E é no amor possível, no presente, que Luzia reencontra a força para continuar.

Luzia

47 anos. Endurecida pelas dificuldades da vida e pelas constantes partidas, desaprendeu a como mostrar e receber amor. Não gosta de ouvir falar sobre morte e não sabe se seus filhos a amam. Apesar de dividir a casa com o marido e a prole, a relação é gélida, distante. Seus olhos estão sempre voltados para o passado.

Fátima

12 anos. É a caçula e por tal é a figura inconveniente da casa. De alma leve, tem um humor característico, fala rápida e é a única na escola. É obrigada a sustentar o peso da partida da infância rápido demais: através das confissões da mãe, das exigências do pai, do ressentimento do irmão e da menstruação precoce.

José

15 anos. É o do meio e, por tal, foi o que recebeu menos atenção na infância. É o “mais pra frente” deles, tanto em vaidade quanto em ambição. Quer muita coisa, mas através do trabalho. Admira muito Francisco, acredita que Fátima gosta de se mostrar por estar na escola e tem uma relação particularmente difícil com Pedro.

Francisco

20 anos. É o primogênito e o primeiro a partir. Obediente, sabe exatamente o que fazer para agradar os pais, mas isso não o impede de ir embora. Exige muito de José, corrigindo-o para que Pedro não precise. É longe da família, porém, que ele mostra o quanto é afetuoso e carinhoso.

Pedro

54 anos. Patriarca, acredita dentro de uma família todos têm um trabalho e devem existir para cumpri-lo. Apesar de não verbalizar, demonstra afeto provendo, pois foi assim que foi ensinado. É rígido, como seu pai foi, mas no fundo teme que seus filhos o odeiem, como ele mesmo odiava o pai, mas não faz diferente.

Silvano

Irmão distante com quem Luzia passa a se comunicar através de cartas. Silvano sempre foi uma alma livre e se destacava pela esperteza em suas mentiras. Um malandro, que encantava os outros por seu jeito boa praça. No presente, sua realidade, porém, é outra, está preso e mente até onde pode para esconder isso.

UNIVERSO

“Do lado de cá, saudades” toma palco num interior rural do Brasil, durante o início da década de 80. O clima árido, os longos períodos de seca e as altas temperaturas são metáforas para a própria secura dos personagens. Em uma vizinhança vazia, afetada por grandes distâncias entre uma casa e outra, a família da história vive quase isolada, sustentando o peso do convívio marcado pela rotina e pelo trabalho duro. Ali, é comum que água e luz faltem, e são nesses incômodos que o mundo se abre, especialmente para as mulheres da casa, que vão para o açude mais próximo lavar louças e roupas.

Nas relações familiares, a dinâmica é majoritariamente patriarcal, com mulheres ocupando principalmente trabalhos domésticos. O trabalho infantil é comum e a
saída precoce da escola também. Na vida da família da história, o dinheiro é guardado debaixo do colchão, os absorventes são panos costurados e estufados de algodão e nem criam animais, para não ter apego.

O rádio noticia os primeiros passos da volta da democracia e os últimos do regime militar. As músicas falam sobre saudades, sobre quem partiu e quem ficou, sobre a dureza de sair da roça e viver na cidade grande. É por meio dele que chegam as notícias nacionais, as novelas radiofônicas e os programas de mensagens que ligam comunidades distantes. A televisão é um bem restrito às famílias de maior poder aquisitivo. Nesse contexto, o cotidiano é definido por um ritmo lento, condicionado pelas condições climáticas, pelas normas sociais e pela luta constante contra a escassez.

QUEM
ESCREVE

Valéria Oliveira

Bacharel em Cinema e Mídias Digitais, é criadora e Roteirista Chefe da série “Babel”, que em 2023 teve seus Direitos Patrimoniais negociados com a produtora Rodô Audiovisual. Babel é finalista do FRAPA 2025, foi finalista do Concurso de Pilotos e das Doctoring Sessions do Serie_Lab 2025, foi também selecionada para a Clínica de Projetos do 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2023). No início de 2025, Valéria co-roteirizou os longas “Ermo” (Baloo Filmes) e “O Reserva” (Sublima Filmes), ambos em pós-produção com estreias previstas para 2026-2027. Seu primeiro longa autoral “Do lado de cá, saudades” foi selecionado na Residência Base Filmes (2025), residência artística idealizada por Esmir Filho, diretor de Homem com H e em 2024 venceu o Prêmio de Melhor Projeto no I Kino Lab e foi selecionado no Visão Preta Lab da 5ª MIMB. Em 2024 escreveu o curta “Encontro de Mulheres”, vencedor do concurso de roteiro do 2º Kino Script, e integrou a sala de roteiro da série animada “Semiose” (2026). Como pesquisadora, colaborou na série documental “Game Dev Brasil” (EBC, TV Brasil) e no curta “Isso aqui é Várzea” (em pós-produção), além de atuar como Script Doctor do projeto de animação infantil “Tuca”. Na área educacional, atuou como roteirista monitora no RodôHub (2023) e ministrou oficinas nos projetos Vamos ao Cinema (2023) e Faça! Filme! (2024).

Criadora e Roteirista:

Valéria Oliveira

Produtor Executivo:

Isaac Brum Souza

Consultor de Roteiro:

Affonso Uchôa

Assistente de Roteiro:

Ana Domitila Lemos

Pesquisadora de Imagens:

Mayara Varalho

Designer Gráfico:

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Realização:

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